Castelo Branco

Nasceu: 20 de setembro de 1897 | Faleceu: 18 de julho de 1967

Marechal Castelo Branco foi um político e militar brasileiro que governou o país entre 1964 e 1967, como o primeiro presidente do governo militar iniciado em 1964.

O Brasil passou por um período de grande turbulência política e social na década de 1960, que culminou com o ascensão dos militares ao poder do Brasil em 1964, que duraria até 1985.

O primeiro presidente do governo foi o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, que governou o país entre 15 de abril de 1964 e 15 de março de 1967.

Neste artigo, vamos explorar a trajetória desse personagem histórico, desde o seu nascimento em Fortaleza, no Ceará, até a sua morte em um acidente aéreo.

Vamos analisar também a sua formação militar, a sua participação na Segunda Guerra Mundial, o seu papel no regime de 1964 e as suas principais medidas como presidente da República.

Humberto de Alencar Castelo Branco Biografia
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Castelo Branco sua infância e família

Castelo Branco nasceu em Fortaleza, no Ceará, no dia 20 de setembro de 1897.

Seu nome completo era Humberto de Alencar Castelo Branco e ele era descendente do romancista José de Alencar.

Seus pais eram o general-de-brigada Cândido Borges Castelo Branco e Antonieta Alencar Castelo Branco.

Ele se casou com Argentina Vianna, com quem teve dois filhos: Nieta e Paulo.

Ele era neto e bisneto de militares portugueses e primo em segundo grau do escritor José Lins do Rego.

Ele se casou com Argentina Vianna, filha e neta de generais brasileiros, com quem teve dois filhos: Nieta e Paulo.

Seu filho Paulo seguiu a carreira diplomática e foi embaixador do Brasil em vários países europeus.

Castelo Branco morreu em um acidente aéreo em 1967, aos 69 anos, deixando uma família numerosa e influente.

Carreira militar

Castelo Branco iniciou sua carreira militar aos 14 anos, quando ingressou no Colégio Militar de Porto Alegre.

Depois, estudou na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, onde se formou em 1918 como aspirante a oficial de infantaria.

Ele se destacou como aluno e professor em diversas escolas militares, tanto no Brasil quanto no exterior.

Ele cursou a Escola Superior de Guerra da França e a Escola de Comando e Estado-Maior dos Estados Unidos, onde se especializou em estratégia e logística.

Ele participou da Segunda Guerra Mundial como tenente-coronel da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália, entre 1944 e 1945.

Ele foi o chefe da seção de operações do estado-maior da FEB e comandou o 1º Batalhão do 11º Regimento de Infantaria.

Ele participou de diversas batalhas contra as forças nazistas, como as de Monte Castelo, Montese e Collecchio.

Por sua atuação na guerra, ele recebeu várias condecorações, como a Cruz de Combate de 1ª Classe, a Medalha de Campanha da FEB, a Medalha de Sangue do Brasil, a Legião do Mérito dos Estados Unidos e a Medalha da Vitória.

Em 1958, ele foi promovido a general e comandou várias regiões militares do país. Ele também foi instrutor e diretor da Escola Superior de Guerra (ESG), onde defendia a doutrina da segurança nacional e do desenvolvimento.

Em 1963, ele foi nomeado chefe do Estado-Maior do Exército pelo então presidente João Goulart.

Ele foi o principal líder do início do governo militar em 1964, que assumiu o país durante 21 anos.

Ele foi escolhido para ser o primeiro presidente do regime militar, com o apoio dos setores moderados das Forças Armadas e dos partidos políticos conservadores.

Castelo Branco governou o Brasil entre 1964 e 1967, com poderes excepcionais concedidos pelo Ato Institucional nº 1.

Ele implementou diversas reformas econômicas, políticas e sociais, que visavam modernizar o país e combater a inflação, a corrupção e a subversão.

Ele atuou de forma efetiva contra os movimentos de oposição ao regime, e criou o Serviço Nacional de Informações (SNI).

Durante sua gestão foram criados os seguintes partidos políticos: a Aliança Renovadora Nacional (Arena), que apoiava o governo, e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que fazia oposição.

Castelo Branco deixou a presidência em 1967, após ter seu mandato prorrogado por um ano pelo Congresso Nacional. Ele foi substituído pelo General Costa e Silva.

Castelo Branco morreu em um acidente aéreo em 18 de julho de 1967, quando o avião em que viajava colidiu com um caça da Força Aérea Brasileira (FAB) em Fortaleza.

Ele foi sepultado no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. Ele recebeu diversas homenagens póstumas, como o título de Marechal do Exército Brasileiro e o nome dado a uma rodovia federal que liga São Paulo ao Rio de Janeiro.

Suas conquistas na vida militar

Castelo Branco iniciou sua carreira militar em 1918, quando ingressou na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro.

Ele se formou como aspirante em 1921 e foi promovido a 2º tenente em 1922.

Ele participou da Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder, e da Revolução Constitucionalista de 1932, que tentou restaurar a autonomia de São Paulo.

Ele também lutou na Segunda Guerra Mundial, como chefe do Estado-Maior da Força Expedicionária Brasileira (FEB), que combateu na Itália.

Durante sua carreira militar, Castelo Branco recebeu diversas condecorações, como a Medalha Militar de Ouro com Passador de Platina, a Medalha da Campanha da Itália, a Ordem do Mérito Militar, a Ordem do Mérito Aeronáutico, a Ordem do Mérito Naval, a Legião do Mérito dos Estados Unidos, a Cruz de Guerra da França e a Ordem Militar da Torre e Espada de Portugal.

Castelo Branco também fez vários cursos militares, como o Curso de Estado-Maior do Exército Brasileiro, o Curso Superior de Guerra da Escola Superior de Guerra e o Curso de Comando e Estado-Maior do Exército dos Estados Unidos.

Ele também publicou diversos ensaios e livros sobre temas militares, como “A guerra na Itália”, “A guerra moderna” e “A guerra revolucionária”.

Posse como Presidente da República: Castelo Branco

A posse de Castelo Branco como presidente da República foi um evento que marcou o início do governo militar no Brasil.

Ele foi eleito indiretamente pelo Congresso Nacional em 11 de abril de 1964, com quase 99% dos votos, derrotando os outros candidatos Juarez Távora e Eurico Gaspar Dutra.

Ele assumiu o cargo em 15 de abril de 1964, substituindo Ranieri Mazzilli, que havia ocupado a presidência provisoriamente após saída de João Goulart em 2 de abril de 1964 .

A posse de Castelo Branco foi realizada em uma cerimônia simples e discreta no Palácio do Planalto, sem a presença de chefes de Estado estrangeiros ou de grande público.

Ele recebeu a faixa presidencial das mãos do presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, que havia declarado vaga a presidência da República.

Em seu discurso de posse, Castelo Branco afirmou que seu governo seria transitório e que tinha como objetivo restaurar a ordem democrática e constitucional no país.

Ele também prometeu combater a inflação, a corrupção, o comunismo e o subdesenvolvimento .

Com o apoio dos militares e dos setores conservadores da sociedade, ele iniciou uma série de medidas firmes contra seus opositores políticos e sociais.

Ele também implantou o bipartidarismo, criando partidos políticos: a Aliança Renovadora Nacional (Arena), que apoiava o regime militar, e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que fazia uma oposição consentida.

Ele ainda convocou uma Assembleia Constituinte que elaborou a Constituição de 1967, que ampliou os poderes do presidente da República.

A posse de Castelo Branco foi, portanto, um momento histórico que inaugurou um período do governo militar no Brasil, que duraria mais de 20 anos.

Castelo Branco e a vida política

Castelo Branco era um militar de carreira que se destacou na Força Expedicionária Brasileira durante a Segunda Guerra Mundial e na Escola Superior de Guerra, onde se aproximou de ideias anticomunistas e nacionalistas.

Ele era chefe do Estado-Maior do Exército quando apoiou o movimento que depôs o presidente João Goulart em 31 de março de 1964, alegando que ele era uma ameaça à democracia e à soberania nacional.

Castelo Branco foi escolhido para ser o primeiro presidente do regime militar por ser considerado um moderado e um conciliador entre as diferentes correntes das Forças Armadas.

Ele foi eleito indiretamente pelo Congresso Nacional com o apoio dos partidos conservadores UDN e PSD. Seu mandato deveria durar até 31 de janeiro de 1966, mas foi prorrogado até 15 de março de 1967.

Durante a sua presidência, Castelo Branco enfrentou a resistência de setores da sociedade civil, como movimentos estudantis, e alguns políticos de oposição.

Castelo Branco editou atos institucionais que na época foram aplicados à época. Além disso, ele promulgou uma nova Constituição em 1967.

No campo econômico, Castelo Branco adotou uma política de austeridade fiscal e monetária, visando combater a inflação e equilibrar as contas públicas.

Ele também realizou reformas tributária, financeira e bancária, buscando modernizar a economia brasileira e atrair investimentos estrangeiros.

Essas medidas foram chamadas de Programa de Ação Econômica do Governo (PAEG) e foram coordenadas pelo ministro do Planejamento Roberto Campos e pelo ministro da Fazenda Otávio Gouveia de Bulhões.

Castelo Branco acabou indicando o nome do General Artur da Costa e Silva como candidato único da Arena.

Costa e Silva foi eleito pelo Congresso Nacional em outubro de 1966 e assumiu a presidência em março de 1967.

Ele é considerado por alguns como um dos presidentes mais inteligentes e cultos da história do Brasil.

Castelo Branco e a política econômica adota

A política econômica de Castelo Branco foi baseada em um conjunto de medidas chamado de Programa de Ação Econômica do Governo (PAEG), que foi elaborado pelo ministro do Planejamento Roberto Campos.

O PAEG tinha como principais objetivos acelerar o desenvolvimento econômico, conter a inflação, reduzir o déficit público, corrigir os desequilíbrios regionais e sociais e melhorar o balanço de pagamentos do país.

Para alcançar esses objetivos, o PAEG adotou uma política de austeridade, que envolvia o controle dos gastos públicos, a reforma tributária, a reforma financeira, a reforma bancária, a política monetária restritiva, a política salarial limitadora e a política de investimentos públicos seletivos.

Essas medidas buscavam disciplinar o consumo, estimular a poupança, orientar os investimentos privados e fortalecer a infraestrutura econômica e social do país .

A política econômica de Castelo Branco teve alguns resultados positivos, como a redução da inflação de 91% em 1964 para 39% em 1967, o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,4% em 1964 para 6,6% em 1967 e o aumento das exportações de US$ 1,4 bilhão em 1964 para US$ 2,5 bilhões em 1967.

Castelo Branco e os grupos terroristas

Castelo Branco enfrentou a oposição de grupos que defendiam a resistência armada em outras palavras, praticavam terrorismo no Brasil contra o atual governo eleito democraticamente segundo a constituição vigente da época, que ficaram conhecidos como grupos terroristas ou guerrilheiros.

Esses grupos eram formados por militantes, estudantes, sindicalistas, intelectuais e religiosos, que se inspiravam nas revoluções socialistas de Cuba, China e Vietnã .

Entre os principais grupos que atuaram no Brasil durante o governo de Castelo Branco, podemos citar: Ação Libertadora Nacional (ALN), liderada por Carlos Marighella; Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), liderado por Leonel Brizola; Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), liderado por Carlos Lamarca; Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), liderado por Mário Alves; e Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), liderada por Onofre Pinto.

Esses grupos realizaram diversas ações violentas contra o governo militar, como assaltos a bancos, sequestros de diplomatas, atentados a bomba, sabotagens e execuções de agentes da repressão.

Algumas das ações mais conhecidas foram: o sequestro do embaixador dos Estados Unidos Charles Burke Elbrick em 1969; o assalto ao cofre do governador de São Paulo Adhemar de Barros em 1969; o atentado ao quartel-general do II Exército em São Paulo em 1968; e o assassinato do capitão do Exército Charles Chandler em 1968.

Castelo Branco reagiu aos grupos terroristas com medidas firmes, como a criação do Serviço Nacional de Informações (SNI), que coordenava as atividades de espionagem e contraespionagem; a criação da Operação Bandeirante (Oban), que reunia agentes militares e civis para combater os guerrilheiros; a edição dos Atos Institucionais, e a promulgação da Lei de Segurança Nacional, que criminalizava as atividades terroristas praticadas na época.

Morte de Castelo Branco

A morte de Castelo Branco foi um acontecimento trágico e misterioso que ocorreu em 18 de julho de 1967, pouco mais de quatro meses após ele deixar a presidência da República.

Ele estava em um avião bimotor Piper Aztec, cedido pelo governo do Ceará, que foi atingido por um caça TF-33A da Força Aérea Brasileira (FAB) que fazia um voo de instrução.

O choque arrancou parte da cauda do avião civil, que caiu em espiral no bairro Mondubim, em Fortaleza.

Castelo Branco morreu na hora, junto com outras quatro pessoas que o acompanhavam: seu irmão Cândido, a educadora Alba Frota, o major Manuel Nepomuceno e o piloto Celso Tinoco Chagas.

Apenas o copiloto Emílio Celso Chagas, filho do piloto, sobreviveu ao acidente. O caça conseguiu retornar à base aérea e pousar sem maiores problemas .

As causas do acidente nunca foram totalmente esclarecidas. Houve duas investigações oficiais conduzidas pela Aeronáutica: uma em 1967 e outra em 1978.

Ambas concluíram que se tratou de uma fatalidade causada por falhas humanas e técnicas. Segundo esses relatórios, o caça teria se aproximado demais do avião civil por causa de uma ilusão de ótica provocada pelo sol e pela posição das aeronaves.

Além disso, houve falhas na comunicação entre os pilotos e a torre de controle, que não alertou sobre a proximidade dos aviões .

No entanto, essas conclusões foram contestadas por diversas pessoas que suspeitaram de uma conspiração para assassinar Castelo Branco.

Entre os argumentos usados pelos defensores dessa hipótese estão: a falta de transparência e de provas das investigações; as contradições e omissões nos depoimentos dos envolvidos; as circunstâncias políticas da época, marcadas pela ascensão da linha dura militar; e a existência de outros planos para matar o ex-presidente, como o caso Para-Sar .

Até hoje, não há evidências conclusivas que comprovem ou descartem a possibilidade de um atentado contra Castelo Branco. O caso permanece como um dos maiores enigmas da história brasileira .

Fontes:

  • Humberto Castelo Branco – Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Humberto_Castelo_Branco
  • Castello Branco, o primeiro “presidente” da Ditadura Militar. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiab/castelo-branco.htm
  • Governo Castello Branco – História do Mundo. Disponível em: https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/governo-castello-branco.htm
  • Governo Castello Branco – Mundo Educação. Disponível em: https://mundoeducacao.uol.com.br/historiadobrasil/governo-marechal-castello-branco.htm
  • A Posse de Castelo Branco e o Início de um Novo Período na História do Brasil. Disponível em: https://bmilitar.com/a-posse-de-castelo-branco-e-o-inicio-de-um-novo-periodo-na-historia-do-brasil/
  • Biografia de Castelo Branco – eBiografia. Disponível em: https://www.ebiografia.com/castelo_branco/
  • Humberto Castelo Branco – Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Humberto_Castelo_Branco
  • Humberto Castello Branco – Toda Matéria. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/humberto-castello-branco/
  • Governo Castello Branco – Mundo Educação. Disponível em: https://mundoeducacao.uol.com.br/historiadobrasil/governo-marechal-castello-branco.htm
  • 9- pontos positivos e negativos do governo – marechal Castello Branco. Disponível em: https://sites.google.com/site/marechalcastellobranco/pontos-positivos-e-negativos-do-governo
    https://especiais.opovo.com.br/castelobranco/