Guerra dos Farrapos

A Guerra dos Farrapos foi um conflito que durou dez anos (1835-1845) entre a província do Rio Grande do Sul e o governo imperial do Brasil. Foi a mais longa e uma das mais importantes revoltas do período regencial, marcado por diversas rebeliões provinciais.

As principais causas da guerra foram a insatisfação dos estancieiros e charqueadores gaúchos com os altos impostos cobrados pelo governo central sobre seus produtos, especialmente o charque (carne seca), que enfrentava a concorrência do charque estrangeiro, taxado com alíquotas menores. Além disso, os gaúchos reclamavam da falta de autonomia da província, da criação da Guarda Nacional, que limitava o poder dos chefes locais, e dos prejuízos causados por uma praga de carrapatos que dizimou parte do rebanho bovino em 1834.

A guerra começou em 20 de setembro de 1835, quando um grupo de cerca de 200 cavaleiros liderados por Bento Gonçalves invadiu Porto Alegre e depôs o presidente da província, Antônio Rodrigues Fernandes Braga. Os rebeldes contaram com o apoio da Assembleia Provincial e de parte da população. Em 1836, eles proclamaram a República Rio-Grandense ou República do Piratini, com sede na cidade de Piratini e tendo Bento Gonçalves como presidente.

Os farrapos (como eram chamados os revoltosos por causa das roupas rasgadas que usavam) enfrentaram as tropas imperiais em várias batalhas ao longo dos anos. Eles também tentaram expandir a revolução para outras províncias do sul, como Santa Catarina e Paraná. Em 1839, eles ocuparam Laguna (SC) e declararam a República Juliana, mas foram expulsos no ano seguinte.

A guerra se prolongou até 1845, quando os farrapos aceitaram negociar a paz com o governo imperial. O acordo ficou conhecido como Tratado de Ponche Verde e previa a anistia aos rebeldes, a incorporação dos oficiais farrapos ao Exército Imperial, a redução dos impostos sobre o charque gaúcho e a libertação gradual dos escravos que lutaram na guerra.

A Guerra dos Farrapos teve um grande impacto na história do Rio Grande do Sul e do Brasil. Ela revelou as contradições entre o centro e as províncias no Império Brasileiro e expressou as aspirações republicanas e federalistas de parte da elite regional. Ela também envolveu diversos grupos sociais, como estancieiros, comerciantes, militares, índios e negros escravizados ou libertos. Alguns desses grupos foram traídos ou abandonados pelos líderes farrapos ao longo da guerra ou após o tratado de paz.

A Guerra dos Farrapos é lembrada até hoje como um símbolo da identidade gaúcha e de resistência ao poder centralizado. O dia 20 de setembro é feriado estadual no Rio Grande do Sul e é celebrado com desfiles tradicionalistas. A bandeira da República Rio-Grandense é um dos símbolos mais usados pelos gaúchos.